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MA8 divulga análise sobre os recém-chegados

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MA8 divulga análise sobre os recém-chegados

segunda-feira, Março 9, 2015

Levantamento aponta equívocos que deveriam ser evitados pelos newcomers no Brasil

Na opinião de Orlando Merluzzi, que atua no setor há mais de trinta anos e preside a consultoria, “algumas empresas recém-chegadas subestimaram as características do Brasil e quiseram implantar aqui o mesmo modelo de negócio de seus países de origem. Agora, enfrentam dificuldades em honrar alguns compromissos assumidos no Brasil e começam a olhar para as consequências de uma estratégia mal planejada e mal implantada”.

A consultoria apontou uma série de equívocos cometidos por algumas das novas empresas que chegaram ao Brasil nos últimos anos e agora buscam recuperar o tempo perdido. Segundo a MA8, são poucas as empresas que tiveram a sorte de encontrar um investidor respeitado no País, com capital e governança para conduzir um novo projeto de investimento no setor automotivo. A maioria dos newcomers, quando não injetaram capital próprio, aliaram-se a investidores locais sem vocação para conduzir seus projetos, gerando atrasos e riscos legais aos seus negócios.

“Outro erro de alguns recém-chegados tem sido planejar e executar ações administrativas e comerciais por conta própria, sem conhecer o País e sem utilizar o apoio de uma empresa de consultoria especializada local”, diz Orlando Merluzzi. “Temos sido procurados tardiamente por empresas que cometeram graves erros de planejamento estratégico, difíceis de serem corrigidos em curto prazo e com elevados custos para a correção de rota”, complementa Merluzzi.

A análise da MA8 Management Consulting aponta que algumas das novas empresas que entraram recentemente no Brasil trataram com displicência as exigências do mercado e depois surpreenderam-se com dificuldades diversas, entre elas fazer o cliente aceitar uma marca desconhecida. Isso vale para carros, caminhões, ônibus e máquinas. Outro desafio é convencer o investidor local a entrar no negócio de distribuição como concessionário de uma nova marca sem tradição no País.

Tributação com mais de noventa tipos de taxas e impostos é um dos entraves

Com relação aos planos de negócios no Brasil, Orlando Merluzzi é enfático: “as novas empresas precisam desenvolver seu planejamento financeiro considerando que o Brasil possui mais de noventa tipos de taxas e impostos e o correto planejamento tributário é muito importante no business case. Além disso, as margens de comercialização no Brasil devem ser mais altas do que as praticadas em outros países, para poder sustentar o investimento planejado. Nenhuma nova empresa que chega no País conseguirá ser bem sucedida sem o apoio de especialistas locais em assuntos tributários, operações comerciais, gestão ambiental e questões legais”, completa.

Segundo a MA8, as empresas que mais enfrentam dificuldades para lançar suas marcas no mercado são as chinesas. Inicialmente pela rejeição do consumidor brasileiro e depois, pelo desconhecimento dos chineses quanto à forma de se relacionar com parceiros comerciais e até mesmo com as pessoas, nos costumes ocidentais. “O problema ainda é cultural e esbarra no aspecto da confiança, pois a qualidade do produto chinês melhorou muito nos últimos anos. Mas ao contratarem serviços em outros países, os chineses utilizam o menor preço como fator de decisão e dessa forma, às vezes exigem cinquenta por cento de desconto e encontram fornecedores oportunistas que lhes entregam apenas cinquenta por cento dos serviços”.

Outro tema delicado é a questão dos sindicatos, com demandas por aumento de salários e manutenção dos empregos. “Os chineses certamente terão dificuldades com a gestão da relação sindical no Brasil e precisarão de ajuda especializada”, salienta Orlando Merluzzi, que acrescenta: “algumas empresas acreditam que, se o produto é bom em seu país de origem, será bom também no Brasil. Esse é um erro estratégico, mas não se trata de um equívoco exclusivo dos asiáticos. Recém-chegados ocidentais tiveram a mesma postura recentemente e falharam no ponto nevrálgico do setor automotivo, ou seja, a formação da rede de concessionárias”, finaliza Merluzzi.

De acordo com a análise da MA8, a economia brasileira sofrerá agora os efeitos dos ajustes políticos e econômicos e será impulsionada por uma nova expansão da economia mundial a partir de 2017. “O Brasil detém um sistema financeiro sólido e um mercado consumidor atrativo para qualquer empresa global. Há um parque industrial instalado capaz de suportar o crescimento econômico e a retomada do setor automotivo, mas por outro lado há o maior gargalo do crescimento no Brasil, que é o atraso logístico, um problema que não se resolve da noite para o dia”, afirma o presidente da MA8 Consulting Group.

A consultoria considera que as empresas que se instalam no Brasil podem ter acesso a bons incentivos dos governos, mas algumas se iludem com promessas inviáveis e tomam decisões erradas de investimento, muitas vezes por estarem mal assessoradas. “Outra questão delicada são as escolha pelos locais para instalação de fábricas. Motivadas por benefícios oferecidos que podem não se concretizar na prática, as empresas deixam de optar por regiões mais vantajosas para sua operação no Brasil. Em alguns casos, as decisões são recomendadas por pessoas com intenções distintas do investidor estrangeiro, comprometendo a imagem de seriedade do País no exterior. “O Brasil possui muitas empresas de consultoria sérias e competentes, mas a experiência, o conhecimento e o profissionalismo têm um preço mais alto que nem sempre o cliente novato está disposto a pagar. Infelizmente algumas empresas acabarão pagando mais caro no decorrer de suas operações, por não terem planejado corretamente a gestão de riscos e oportunidades dos investimentos no mercado brasileiro”, conclui Merluzzi.

Recentemente a MA8 divulgou um estudo complexo sobre os desafios do setor automotivo no Brasil em curto, médio e longo prazos e a consultoria se mostrou otimista com a projeção de retomada sustentável da economia e de todo setor automotivo brasileiro a partir do ano de 2017. Nesse estudo a MA8 já havia ressaltado a sequência de demissões inevitáveis no setor automotivo, a queda de rentabilidade e a difícil situação das redes de concessionárias.


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